domingo, 27 de fevereiro de 2011

PARE E REFLITA - é merecedor de sua atenção


Onde pus a esperança

Onde pus a esperança, as rosas
Murcharam logo.
Na casa, onde fui habitar,
O jardim, que eu amei por ser
Ali o melhor lugar,
E por quem essa casa amei –
Decerto o achei,
E, quando o tive, sem razão pra o ter.

Onde pus a feição, secou
A fonte logo.
Da floresta, que fui buscar
Por essa fonte ali tecer
Seu canto de rezar –
Quando na sombra penetrei,
Só o lugar achei
Da fonte seca, inútil de se ter.

Pra quê, pois, afeição, esperança,
Se tê-las sabe a não as ter?
Que as uso, a causa pra as usar,
Se tê-las sabe a não as ter?
Crer ou amar –
Até à raiz, do peito onde alberguei
Tais sonhos e os gozei,
O vento arranque e leve onde quiser
E eu os não possa achar!

Fernando Pessoa
16/02/1920

"Pessoa exacerba a sua extrema melancolia (onde pus a esperança). Seus poemas expressam exatamente aquilo que sentia e isso é que mais me fascina neste grande poeta da literatura Portuguesa".

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Obrigação de viver


Coragem é o que me basta para ter uma vida intensa e feliz.

O que realmente importa é a felicidade, é o orgulho de si mesmo. Deus nos mandou para sermos "o SAL da terra e a LUZ do mundo" e isso é o que me move a praticar o bem. Não existe uma vida feliz sem Deus, sem ter aquela voz sussurrando ao pé do ouvido dizendo o melhor a fazer.
Não acredito que nosso destino já esteja traçado, como dizem os muçulmanos, pois temos diversos pensamentos e tomamos diferentes atitudes em apenas um dia ou até mesmo uma hora, nós somos o causador de qualquer bem ou qualquer mal, e a busca catastrófica da felicidade só nos trará agonias e aflições. Viver não é sinônimo de se perder, pelo contrário, é um encontro com Deus, pois não existe felicidade sem Deus.

De que adianta ter vida e não querer vive-la?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Aos Trancos e Barrancos

Em sintonia com Deus
eu vou levando a minha vida
andando, calculando cada passo
alinhando, invadindo a contra mão.
Assim eu vou, como um bêbado
defenestrando sem medida
sem nenhum compasso
desvanecido.

Assim eu vou...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Achei digno.


Quer um "cala a boca" melhor que esse?

domingo, 14 de novembro de 2010

Tenso


Lá vem vindo ele
em minha direção,
está cada vez mais perto,
um olhar rápido,um sorriso
sem graça,uma cara de surpresa.
E chegou ele,
com um abraço manso;
a delicadeza é tanta
que quase não consigo sentir
o seu toque,apenas o teu cheiro,
o teu singular aroma.
Eu tentei não largar
mas a distância é necessária.
E lá vai ele,
quero pedir pra ficar,
mas cadê as palavras que
não saem da minha boca?
Está cada vez mais distante,
eu preciso tomar uma atitude...
Um, dois, três passos
e num momento desesperador
ele me olha novamente,
meu coração acelera,
procuro algo na mente pra falar
antes que ele vá embora,
Penso, penso, penso...

E lá vem vindo ele em
minha direção,
está cada vez mais perto,
um olhar fixo, minha face agora
já não tem mais feição.
E chegou ele mais uma vez
E chegou ele, sem nenhuma
palavra dada roça suavemente
seus lábios nos meus,
mas Diante de tal façanha
repentina,desvio meu rosto
fugindo,porém antes mesmo
que ele possa desistir,
volto a face e o beijo,
agora sem nenhuma distância
Um, dois, três segundos...
E o beijo acanhado vai
ficando pra trás.
Não quero que vá,
espere mais um pouco.
O que faço? Ele ta desistindo,
tá acabando, mas tão rápido?
E ele se afasta e antes de ir
beija minha mão. Que meigo!
E lá vai ele
Agora Com um sorriso
voltando o olhar diversas vezes
como quem diz que vai voltar.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A busca


Clarisse era uma criança calma e adorava brincar com seus colegas da escola, conversava com todos da vizinhança, mas nos últimos dias ela andava muito brava e mau-humorada.

Havia chegado na escola em que Clarisse estudava, um novo professor e a pobre criança se deixou enfeitiçar pelo carinho e total atenção que o professor lhe dava, acabou por se apaixonar.

Devido a essa paixão exacerbada que a consumia pouco a pouco, a menina decidiu sair a procura do futuro, pois queria de qualquer forma crescer e viver junto de seu amado. Saiu da cidade seguindo por uma estrada e após ter caminhado durante um longo período de tempo, viu uma cabana e em frente a ela um velho sentado em uma cadeira, e ao vê-la perguntou:
_Para onde vai menina? assim, sozinha?
_O senhor sabe aonde está o futuro?
_Antes de qualquer coisa, entre, coma algo, pois vejo que você está muito cansada da viagem.

Ali a menina permaneceu alguns meses, até decidir voltar pra casa, quando já tinha alcançado seu objetivo, pois o velho lhe contou todas suas experiências de vida, desse modo ela encontrara o futuro. O reencontro com a família foi emocionante, mas o que realmente importava era ver novamente o seu grande amor.

AO chegar na escola, vendo seus amigos e o professor, a menina tenta impressionar com palavras difíceis e atitudes mais maduras. O professor decidiu contar para os alunos o que o motivou trabalhar com crianças:
_O que mais me fascina é a simplicidade, a felicidade e principalmente a inocência que uma criança carrega.

Pobre menina, toda sua busca foi em vão, pois agora a inocência ela já tinha perdido, seria possível agora modificar o passado?

domingo, 31 de outubro de 2010

Realidade


Outro dia ao andar pelas ruas da minha cidade acompanhada de um amigo, vi um homem comportar-se estranhamente: vagando sem destino aos prantos, vestido apenas com cuecas, gritando como se procurasse algo ou alguém, eram frases incompreensíveis. Em um dado momento ele suplica por ajuda, mas ninguém sabe por quê e nem ao menos preocuparam-se em aproximar-se, pois o modo como estava vestido causava repugnância(receio) na população. Muitos dos que estavam ali o chamavam de "marginal", pois acreditavam que tal homem estava sobre efeito do álcool ou de alguma droga ilícita, tinha também aqueles que dissessem que ele estava sobre a ação do demônio.
Ao longe via-se uma senhora a chamar por ele, porém ele nada ouvia, ao conseguir aproximar-se dele "filhinho está aqui mamãe" e ele volvendo o olhar para ela "minha mãe" e abraço-a fortemente antes de cair ao chão onde se contorcia e continuava a gritar. Policiais militares chegaram nesse momento e começaram a o insultar, mandando-o entrar na viatura, ao mesmo tempo a mãe "defendia" seu filho, pois talves a solução para o problema do pobre rapaz fosse apenas um remédio ou cuidados médicos e não grosseria e brutalidade, como os policiais achavam que era.
Não sei como terminara essa situação, possivelmente os policiais o tenha levado não sei aonde, mas entendi que dentro de uma sociedade, onde há uma extrema diversidade, existe também diversos tipos de preconceito, ninguém busca se aceitar nem ao menos compreender o outro. Contudo não condeno as pessoas por estarem julgando sem saber ao certo o que aconteci, pois hoje é muito comum se ver certos vícios e sermos diretamente afetados por eles, sofremos a todo momento com a propagação das drogas. Também não tiro a razão dos policiais , visto que eles foram formados para seguirem esse tipo de comportamento, é apenas uma arma de defesa que eles encontraram para se protegerem, e é bem cabível que ninguém queria ver o que sucedera com o rapaz, a não ser a pobre mãe aquela que tinha um semblante cansado e naquele momento preocupado, desesperando, roupas sujas do trabalho diário, uma beleza maltrada talvez pelos deveres que ela deva ter com a casa e principalmente com a família, com aquele pobre rapaz que acredito eu, só deveria ter problemas mentais. Alguma preocupação com a mulher? não, apenas em solucionar o problema que incomodava os demais "cidadãos", ela deveria estar sofrendo mais do que nunca, devido ao sofrimento irresponsável ou sem consciência do filho. Mãe, ninguém pensou nela, como fora a noite de sono dela naquela noite, será que conseguiu ao certo fechar os olhos?
Eu e meu amigo nesses poucos instantes nos vimos no silêncio da incerteza, da vergonha por não ter tido nenhuma atitude diferente daqueles que passavam juntamente conosco por aquele local, pena do pobre rapaz e mais ainda pela mulher, mas seria esse o sentimento certo? me questiono a todo momento e busco o certo, entretanto não o encontro.